HIDROLÂNDIA
Procissão do Fogaréu fortalece a fé e a tradição da Semana Santa em Hidrolândia
As tochas acesas simbolizam não apenas a busca por Cristo, mas também a luz da fé que continua iluminando a caminhada da Igreja.
31/03/2026 10:59 -

A Semana Santa é um dos momentos mais intensos da espiritualidade cristã, e em Hidrolândia (GO) uma das expressões mais marcantes dessa vivência é a Procissão do Fogaréu, que reúne fiéis, comunidades e visitantes em uma profunda experiência de fé e tradição.
Realizada tradicionalmente durante as celebrações da Semana Santa, a procissão revive simbolicamente os acontecimentos que antecederam a prisão de Jesus Cristo.
Durante o cortejo, homens vestidos com túnicas coloridas e capuzes pontiagudos — conhecidos como farricocos — percorrem as ruas carregando tochas acesas, representando os soldados que procuravam Jesus na noite do Getsêmani.
À luz das tochas e ao som de tambores e orações, a encenação cria uma atmosfera de profunda reflexão, recordando os últimos momentos de Cristo antes da Paixão.
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Essa tradição possui raízes antigas: ela foi trazida para Goiás em 1745 por um padre espanhol, inspirada nas procissões penitenciais da Espanha e de Portugal.
Com o passar dos séculos, a Procissão do Fogaréu tornou-se um importante símbolo da religiosidade popular, sendo considerada uma das manifestações culturais e religiosas mais marcantes do estado de Goiás.
Uma tradição que ganha vida em Hidrolândia
Em Hidrolândia, a Procissão do Fogaréu ganhou características próprias e se tornou um momento aguardado pela comunidade. A celebração envolve diversas pastorais, voluntários e moradores que se unem para preparar figurinos, organizar a encenação e conduzir a procissão pelas ruas da cidade.
Mais do que um espetáculo visual, o Fogaréu é um ato de fé coletiva. Ele convida os fiéis a refletirem sobre o mistério da Paixão de Cristo, recordando que a noite da perseguição e da prisão de Jesus também aponta para a esperança da Ressurreição.
As tochas acesas simbolizam não apenas a busca por Cristo, mas também a luz da fé que continua iluminando a caminhada da Igreja.
Religião e saber: reflexão acadêmica sobre a tradição
A importância dessa manifestação cultural e religiosa também tem despertado o interesse de pesquisadores. Recentemente, Frei Douglas publicou um artigo sobre a Procissão do Fogaréu em um e-book que reúne diversos estudos sobre religião e conhecimento.
O livro aborda a relação entre fé, cultura e saber, mostrando como tradições populares como o Fogaréu preservam a memória religiosa das comunidades e fortalecem a identidade cultural dos povos.
Ao estudar essa procissão, o autor destaca como práticas religiosas populares não são apenas celebrações litúrgicas, mas também expressões profundas da história, da cultura e da espiritualidade de um povo.
Um patrimônio de fé
A Procissão do Fogaréu em Hidrolândia revela como a fé cristã continua sendo transmitida através de gestos, símbolos e tradições que atravessam gerações.
Entre luzes, cânticos e passos silenciosos pelas ruas da cidade, a comunidade revive a história da paixão de Cristo, mantendo viva uma tradição que une espiritualidade, cultura e memória coletiva.
Mais do que um evento religioso, o Fogaréu é um testemunho de que a fé continua iluminando a vida do povo hidrolandense.
A cidade de Hidrolândia tem vivido, nos últimos anos, o fortalecimento de uma tradição marcante da espiritualidade cristã: a Procissão do Fogaréu, que recorda a prisão de Jesus Cristo na noite que antecede sua Paixão.
Segundo o Frei Mateus, a iniciativa surgiu após sua chegada à cidade em 2024. Ao conhecer a realidade da comunidade, ele percebeu a força da religiosidade do povo e decidiu introduzir essa tradição na programação da Semana Santa da Paróquia Santo Antônio.
“Ao chegar aqui no interior de Goiás em 2024, me deparei com grandes tradições e com a fé do povo muito forte, muito viva. Por isso decidi trazer para Hidrolândia a Procissão do Fogaréu, uma celebração que recorda a prisão de Jesus e que é muito conhecida no estado de Goiás e também fora do país, especialmente na Espanha”, explica o frei.
A proposta foi integrar essa tradição ao conjunto de procissões que já existiam na paróquia. Na programação da Semana Santa já aconteciam duas importantes manifestações de fé: A Procissão do Encontro, realizada na quarta-feira e a Procissão do Senhor Morto, na Sexta-Feira Santa.
Com a chegada do Fogaréu, a comunidade ganhou mais um momento de forte expressão religiosa e cultural.
A primeira procissão
A primeira Procissão do Fogaréu em Hidrolândia aconteceu em 2024 e contou com a participação de 30 homens.
Mesmo sendo realizada de forma mais simples e com um roteiro básico, o momento foi marcado por grande emoção. A encenação recordava a prisão de Jesus e terminava com a condução da imagem de Jesus preso até a Igreja Matriz, após a celebração da Missa da Ceia do Senhor e do Lava-Pés.
Crescimento da tradição
No ano seguinte, 2025, a procissão cresceu e ganhou mais estrutura.
A participação aumentou para 60 homens, e a encenação passou a contar com três paradas tradicionais, que ajudam a recordar os momentos do início da Paixão de Cristo.
As paradas representavam:
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- A casa do hospedeiro, onde Jesus celebrou a Última Ceia com seus discípulos.
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- O Monte das Oliveiras, onde acontece a prisão de Jesus.
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- O interrogatório diante de Pilatos, momento em que o governador apresenta Jesus ao povo dizendo: “Eis o homem”.
Com essas encenações, a procissão ganhou mais profundidade e envolvimento da comunidade.
Expectativa para este ano
Para este ano, a expectativa é ampliar ainda mais a celebração. A organização pretende reunir 70 homens vestidos como farricocos, conduzindo tochas e participando das encenações.
O objetivo é estruturar ainda melhor o momento e fortalecer a vivência da fé durante a Semana Santa.
“Queremos fazer a procissão com 70 homens, realizando as três paradas encenadas, para assim deixar a fé do povo hidrolandense ainda mais viva”, afirma Frei Mateus.
Mais do que uma encenação, a Procissão do Fogaréu tem se tornado um sinal da fé viva do povo de Hidrolândia, unindo tradição, espiritualidade e participação comunitária na preparação para a Páscoa. (Fonte: Por Pedro Prado-hidrolandianews)






